No primeiro contato da equipe de jornalismo do Super Canal com a criança de 13 anos ele dormia em uma mala na praça Cesário Alvim. A cena chamou a atenção de caratinguenses, que ficaram sensibilizados com a história do menor até então sem comida, sem banho e sem lar.
O caso já era de conhecimento do Conselho Tutelar da cidade, que por diversas vezes encaminhou a criança à família. Porém, uma atitude sem sucesso, mal chegava em casa e o menor já fugia novamente para o ilusório abrigo da rua. Sandra Maria, mãe do menor, esteve na emissora Super Canal nesta manhã de terça-feira (14/02), acompanhada da irmã, do menor e de um jovem que tentava segurar a criança para que ela não fugisse novamente. Com lágrimas nos olhos, a mãe relatou que a situação chegou ao limite. A família não sabe o que fazer. O vício do filho destruiu todo e qualquer sonho futuro, desmoronou pouco a pouco alguma esperança de que a criança entenda que precisa de ajuda.
Na presença do menor fica explícita a dificuldade em se dialogar com uma criança de apenas 13 anos, mas irredutível no pensamento de que sua vida é na rua, no envolvimento com a criminalidade e com o trágico mundo das drogas. Quando indagado sobre o que queria da vida, o menor respondeu “viver na rua” e quando confrontado sobre a possibilidade de passar fome e até mesmo correr risco de morte, uma resposta certeira: “eu me viro. Eu peço comida e as pessoas me dão. Se eu morrer, morri”. Sandra lamenta e diz ter perdido o filho para o crack. “É muito triste, não sei mais o que fazer. Tenho mais dois filhos e eles são responsáveis. Criei meu filho para ser um advogado, quem sabe um juiz para ajudar pessoas com este problema e não para ser um menino que dorme na rua, vive na malandragem”, desabafou.
Imaturo, o menor agride a família com as palavras. Suas ações condizem com os relatos de pacientes viciados, furta para consumir a droga, enfrenta para ter a liberdade desejada. Sandra conta que dentro de casa já furtou roupa, ferro elétrico, dinheiro e tantos outros objetos que foram usados na troca por drogas.
Recentemente ele recebeu abrigo na casa de uma tia. Mas a história se repetiu. Mesmo recebendo carinho e atenção, na primeira oportunidade furtou dinheiro para consumir a droga. A mãe que já trabalhou como engraxate e atualmente está sem trabalho devido a dificuldade em lidar com o filho, lamenta e implora para que haja uma saída, um tratamento para o filho. “Estou disposta a assinar qualquer papel que seja a salvação do meu filho. Prefiro ver o meu filho internado, do que qualquer dia morto por causa da droga”.
CRACK: a droga da morte
Com o uso do crack a degradação acontece em uma velocidade incontrolável e os efeitos da droga são devastadores. Segundo recente estudo apresentado pela Universidade Federal de São Paulo, 30% dos dependentes de crack morrem antes de completar cinco anos de uso. O filho de Sandra já tem pelo menos um ano de consumo e se assim continuar o seu futuro poderá ser bem diferente daquele que um dia foi sonhado pela mãe.
O menor deixou a redação do Super Canal determinado a viver na rua. Decidido a abandonar a casa e a família. A última vez que foi visto nesta condição ele foi encontrado deitado no canteiro da praça principal da cidade. O drama de Sandra pode ser o de muitas famílias caratinguenses e a pergunta é: o que fazer quando a família não tem mais o controle sobre uma criança de apenas 13 anos de idade?
De acordo com o Conselho Tutelar já foram inúmeras interferências. Conselheiros e assistentes sociais se reuniram e chegaram a conclusão de que o caso é de internação compulsória, ou seja, mesmo contra a sua vontade ele terá de ser internado. Portanto, o Conselho irá sugerir ao Ministério Público que interfira no tratamento da criança, disponibilizando uma clínica para que ele possa se internar. Até esta sexta-feira, o pedido deverá ser protocolado e o caso seguirá nas mãos da Justiça.
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