sábado, 3 de outubro de 2009
Eletrodomésticos podem ficar até 20% mais caros
Pressões de custos podem levar ao aumento nos preços de eletrodomésticos e eletroeletrônicos no país já no próximo mês. Primeiro, os aparelhos da chamada linha branca, que tiveram redução ou isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), podem perder o benefício, caso o governo não ceda aos argumentos da indústria, que pede a prorrogação da estratégia até o fim do ano. Segundo, o preço do aço, matéria-prima importante para a produção de peças diversas que vão de motores a chapas, está em alta. Por fim, os metalúrgicos estão em pleno dissídio, pedindo reajuste salarial para os fabricantes. O resultado dessa conjunção de fatores pode representar aumentos entre 4% e 20%, principalmente para os itens que contaram com a diminuição do IPI. Apenas as promoções e a forte concorrência no varejo pelo cliente que estará atrás dos presentes de Natal ou a prorrogação do benefício tributário podem impedir ou adiar os impactos nos preços. Até o dia 31, ainda vale o desconto do IPI para os eletrodomésticos da linha branca. Desde junho, a incidência do imposto sobre refrigeradores e geladeiras passou de 15% para 5%; a tributação das máquinas de lavar era 20% e agora está em 10%; e o tributo sobre tanquinhos, que era de 10%, e de fogões, de 4%, foi zerado. Caso a alíquota volte aos níveis anteriores em novembro, o impacto é quase imediato. Isso significa aumento de até 10% para os tanquinhos e geladeiras. Esse reajuste só não vai se transformar em realidade se o governo prorrogar o benefício. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, deve levar o tema para apreciação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na próxima semana. Ele é a favor da prorrogação da isenção ou diminuição do IPI para eletrodomésticos e materiais de construção para o fim de dezembro e deixou sua posição clara ao presidente da Associação dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula.Kiçula acredita que as altas nos preços não vão chegar aos 20%, mas ele confirma que as pressões existem. “Se tudo der errado (se o IPI for restabelecido, o aço ficar mais caro e os reajustes dos metalúrgicos forem altos), o aumento pode ficar em uns 10%”, observa. No entanto, ele ainda torce para que o cenário permaneça, pelo menos até 31 de dezembro, do jeito como está, com custos estáveis e vendas aquecidas. Segundo ele, as siderúrgicas prometeram segurar os reajustes do aço. E a alta nos salários dos metalúrgicos não deve ter um peso muito significativo no valor final dos produtos. Depois que o IPI foi reduzido, os negócios do setor aumentaram 22%, frente ao mesmo período do ano passado. Antes, por causa da crise financeira internacional, a queda nas vendas chegou a 20%, na comparação com o registrado em 2008.O presidente da Suggar, Lúcio Costa, está temeroso. Ele já acredita em aumentos de até 20% nos preços dos tanquinhos que produz, caso o IPI volte aos patamares anteriores e subam os custos de matérias-primas e mão de obra. “Vai ser péssimo. Se o preço aumenta, cai o consumo e a indústria gera menos emprego”, lembra. Para ele, as altas foram represadas e há o risco de os reajustes aparecerem todos ao mesmo tempo. O fabricante observa ainda que a substituição tributária também tem sido feita com base em valores médios acima dos praticados no varejo, o que também representa alta nos custos. “O cenário é negativo e como as margens são baixas é tudo da mão para boca, ou seja, repasses são inevitáveis frente a reajustes.”
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